porão abaixo® |
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"a condição dos homens é como o mar, a ele dão-se diferentes nomes mas, ao fim e ao cabo, é tudo água salgada" goethe
ARQUIVO MORTO
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31.1.06
>b>- CAPÍTULO II - das observações e primeira incursão a um templo, este consagrado a Santo Antonio, ainda na manhã do mesmo dia e na mesma cidade Após o registro do clima matutino no alvorecer, necessário se fez ligeiro descanso e providencial repasto que possibilitasse a continuidade de nossas obrigações para com a posteridade; para tanto, fomos brindados por gentil estalajadeira com acepipes vários, sumos de frescas frutas e mui bem-vinda infusão de coffea arabica que julgo por favorecedora do humor para as pelejas diárias. Passado este modesto, porém nababesco, repasto, partimos rumo ao aclive acentuado (como será praxe daqui por diante) revestido por pedras que dá acesso à Matriz de Santo Antonio. Qual foi nossa surpresa e desagrado quando informados fomos pelos postados em sua entrada de que não é permitida a gravação da luz em seu belo interior. Resignei-me então, a embutir em minhas oiças outro engenho estupendo, o qual permite ouvir com clareza e, diria até, perfeição, acordes e polifonias como se frente a orquestra estivesse. Cumpre aqui, dispor minha mão à palmatória, pois foi o único momento da jornada em que lembro perfeitamente da música que deu início à verdadeira delícia que é poder usufruir das talhas em madeira e pedra, pinturas, carnamentos e douramentos que ora isolam-se, ora aglutinam-se em retábulos, arcos-cruzeiros, tetos e altares; perfazendo toda a cenografia barroca e, para este específico momento, meus ouvidos deleitaram-se com Sonnerie de Sainte-Geneviève du Mont-de-Paris , de Marin Marais, compositor este que eu desconhecia até os preparativos da viagem. Seria ousado deveras e até temerário querer descrever tudo que foi visto enquanto estávamos no interior desta igreja, basta dizer que por lá ficamos cerca de uma hora, perscrutando detalhes, tentando absorver o todo e embevecidos por estar realmente dentro da história, do belo, da arte. Chegado foi então, o momento de nos aproveitarmos da traquitana e empenharmo-nos no trabalho a que nos dispusemos na noite anterior, o qual seja fotografar o quê nos fosse possível e permitido; registros estes que restringiram-se ao e exterior e entorno da referida igreja, e que seguem abaixo: no adro, há um relógio de sol, cujo mostrador se apõe à Serra de São José e, próximo a ele, um cruzeiro de madeira, uma das raras vezes em que não houve maneira de deixar a paisagem sem o devido registro. clique aqui para comentar: 27.1.06
- CAPÍTULO I - de como a desova de imagens será a conta-gotas, na tentativa de ilustrar o périplo, ainda que o quê se leia e veja hoje, pertença ao pretérito O primeiro destino da jornada foi a Comarca de Tiradentes, anteriormente conhecida por São José del Rey onde, após ligeira busca e cuidadosas inquirições por pouso a baixo estipêndio e ótimos serviços, o intimorato "General Degol" pôde ser devidamente estacionado e ter seu engenho motor desligado no pátio de prazeirosa e hospitaleira pousada, ao entardecer do dia dez de janeiro do ano da graça de dois mil e seis. Após frouxar os cintos da cangalha, tirar o pó dos alforjes e necessários banho e muda de roupas, rumamos à praça central, no intuito de fazer uma primeira prospecção no entorno, limpar as gargantas e clarear as idéias e a urina por intermédio de leveduras fermentadas. Findos alguns canecos do dito pão líquido na corriqueira fórmula "um chopps e dois pastel", e feitos todos os planos e traçadas todas estratégias para o começo da alvissareira empreitada, pudemos finalmente recostar as cabeças em alvas fronhas e macios lençóis apostos sobre mui bem manufaturados catres da supracitada pousada. Após a contumaz troca de impropérios, pusemo-nos no aguardo de que o sono reparador favorecesse o objetivo maior de acordar ao tempo em que a estrela d'Alva se retirasse no firmamento, propósito este plenamente alcançado às cinco horas e trinta minutos da manhã do dia onze de janeiro do supra referido ano.
Deste primeiro contato com as mineiras vistas, posto algumas imagens feitas por mim e graças à digital tecnologia do instrumento que permite a captação e fixação da luz sem olvidar que, para o sucesso de tal propósito, concorreu o préstimo de benfazejo suporte trípode que passou à minha propriedade após ter sido permutado por papel-moeda com um comerciante da Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em data pouco anterior ao início dos recentes fatos aqui narrados.
Nesta última cena, o interior de uma morada foi devassado por entre o orifício de sua aldrava, denunciando em sua parte posterior a existência de frondoso quintal donde perscrutei odores diversos de frutíferas árvores e leguminosos vegetais. Desde já faz-se necessária observação e aviso de que, salvo honrosas, imprescindíveis e valiosas exceções, neste e nos próximos relatos por mim descritos não serão avistados seres ou objetos que lembrem ou denunciem a presença física ou datação temporal de outrem que não seja o próprio objeto aferido e almejado pelas lentes e aprovado por meu olhar, obsessão minha esta que foi, talvez sarcasticamente, enunciada pelo outro Irã Dudeque que comigo saiu nesta jornada, como sendo uma "estética da bomba de nêutron". clique aqui para comentar: 25.1.06
voltando pra realidade, logo começa a desova de imagens há mil, setecentas e bolinha matrizes para trabalhar...
clique aqui para comentar: 18.1.06
não fosse ver um Brasil inteiramente desconhecido para mim, envolto em volumes, imerso em tridimensionalidades - agora repenso toda poética a que tenho me dedicado no plano um verdadeiro esporro imagens que estou amealhando nestas Minas Gerais - uma média de 100 fotos aceitáveis por dia, em uma semana de safari agora estamos acantonados em Ouro Preto e nem tenho tido tempo de trabalhar as imagens, só vou armazenando-as, com um certo temor de me perder na barafunda
nesta pequena mostra, Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, em São João del Rei e N.S. das Mercês, em Tiradentes clique aqui para comentar: 8.1.06
hoje, sob os auspícios do Escritório de Arquitetura Thobias®, começa o safari barroco, nas Minas Geraes. quer dizer, começa a viagem, porque a chegada por aquelas bandas deverá ser na terça. vamos armados de referências bibliográficas, tripés, máquinas, lentes, filmes, filtros, cartões de memória e traquitanas diversas, para fazer o registro da arte, da arquitetura e do quê mais aparecer no caminho consegui amealhar 23 horas de música barroca, para trilha sonora não tenho um projeto definido, mas basicamente a idéia é tentar capturar o máximo possível de imagens que possam ser utilizadas nessa pesquisa de sobreposição que ando fazendo ultimamente depois, com o estofo acadêmico do Irã Dudeque, tentar alinhavar
e redescobrir o barroco na minha produção - algo que estava latente e, devido à quantidade de críticas que tenho recebido sobre isso, resolvi investigar mais entonces, provavelmente este espaço, que já tem andado às moscas, vai ficar intermitente por uns 15 dias porque não sei se haverá possibilidade de postar alguma coisa durante o périplo. inté! ps: esta imagem acima foi feita num edifício de arquitetura eclética - está aqui só à guisa de ilustração clique aqui para comentar: |