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"a condição dos homens é como o mar, a ele dão-se diferentes nomes mas, ao fim e ao cabo, é tudo água salgada"
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28.12.05

tentando fechar a conta do ano, tem umas elocubrações geométricas sobre a montagem dos estênceis do Olho na exposição Gravados, no Palacete dos Leões, Curitiba.

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taí o gajo, enquanto levantava os painéis do trabalho

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uns cortes e rotações na leitura


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para esta montagem, ele utilizou um estêncil que já havia sido aplicado em algumas ruas da cidade

o melhor de tudo foi que, durante uma visita guiada à exposição que fizemos com o Benedito Costa Neto, a obra e o conceito por trás dela suscitou uma discussão interessante sobre intervenções urbanas e stickers, sobre a falta de registro e o anonimato que envolve estas expressões, e esta conversa será retomada no próximo ano na Oficina de Gravura

oxalá, dê pano pra manga

e para não perder o hábito, umas firulas feitas com as imagens acima:

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não fosse o "risco formalizante", até que este tipo de grafismo concretista me atrai, afinal não dá para renegar minha formação estética original, da qual, benzadeus, consegui me livrar em grande parte


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26.12.05

fim de ano geralmente bate um banzo, e hoje me obrigo a uma reprise dum post do ano passado quando, a cada notícia nova que cruzava o grande mar oceano, o chão me parecia fugir


dos mares, o melhor - para a menina brincando na praia e confusa com o noticiário

o mar é belo
rico em vida, cores e proteínas
além de aquático, ele é gramático
porque rende muitas proparoxítonas

Báltico, Atlântico,
Pacífico e Ártico
Adriático ou Índico
Cáspio, da Galiléia ou da Arábia
um golfo do México, o outro Pérsico
e mais um mar, Mediterrâneo

pode ser mar aberto como oceano
ou mar interno como o de Aral

comum a todos,
areia, a onda e o sal

tem uns com nome sério, que ficarão sem rima:
da Noruega, de Okhotsk, do Japão,
de Barents, de Bering,
de Wedell, de Beaufort,
mar de Azov - que parece nome de remédio -
e tem o Mar do Sul da China

um do Norte, danado de gelado
um Morto, hipertenso de salgado
uma velhinha Baía de Bengala
e mais um golfo, de Biscaia,
deságua no Canal da Mancha
(que não sei se tem a ver com o Quixote e Sancho Pança)

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acho que mar vem de mère,
e, se hoje ele é masculino em nossa língua,
como o samba é branco na poesia,
foi um jeito patriarcal e maniqueísta,
de separá-lo da outra mãe - a Terra -
que, ele pensa, o limita

até na Lua, seca de dar dó,
cientistas e poetas vêem o mar,
mesmo que seja de pó:
Mar das Chuvas, do Frio,
da Serenidade, das Crises,
das Tempestades, dos Vapores,
da Tranqüilidade (onde Neil Armstrong pôs o primeiro pé)
da Fecundidade, do Néctar, das Nuvens, dos Humores

ah! e a Lua tem muito a ver com a maré
mas essa história não sei bem como é

às vezes, o mar é bravio
afoga a gente, afunda o navio
mas nem é tanto culpa dele, ou maldade
de algum deus, leviatã ou dos atlantes,
e sim, resultado do vento e da gravidade
da energia potencial e cinética
do atrito, do empuxo e da inércia
que também provocam a tsunami,
uma ressaca das grandes

ao final das contas,
corais e alguma espuma,
o mar é belo
tem um Negro, um Branco, um Vermelho e um Amarelo
mas a cor que ele tem mesmo
seja verde ou azul,
engraçado...
...não é nome de nenhum!

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Sudário
monotipia sobre madeira,
80x110cm, 2002

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20.12.05

15.12.05

pequeno ensaio à guisa de intróito para a ciclópica aventura barroca em busca da retificação de elipses, da planificação de espirais e do minimalismo gongórico, que ora se aproxima







firulas digitais sobre imagens dos parapeitos do Palacete dos Leões, Curitiba

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13.12.05

para não perder o fio da meada, alguns dos 35 carimbos que colecionei na festa:


Raquel Bloomfield, filha adolescente da Tânia, num clima gótico


Weng, um cara gente boa que não conhecia e espero ver mais de seu trabalho


Adriane Pasa, e suas sacadas gráfico-conceituais


Angelo, filho da Dulce e do Ricardo, piá gente fina e que desenha muito bem


Paulo Cougo e seus pinhões, ainda vou filar uma carona no seu Landau


Eva, que sinceramente não lembro quem é, mas cujo carimbo é o quê há

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7.12.05

a correria anda à solta por aqui, então, para não deixar passar batida, algumas imagens da festa do carimbo de ontem, na Oficina de Gravura da UFPR:


a Marina rodopiando e os pés do Fran


o dedão do Fabrício segurando uma página do caderno oficial da festa


Rosana e Fabrício - no canto superior esquerdo do caderno, meu carimbo ready-made: utilizei uma conexão de borracha que, por ser flexível, não permitia reproduções idênticas e que, moléstia à parte, ficou supimpa








a Marina e seu carimbo (ela é uma gravadora nata, pois quando foi assinar, o fez como se o cartão fosse uma matriz)



e o Fran e seu carimbo

tentei fazer outras fotos da festa, mas não sei se passei do grau ou faltou octanagem, quase tudo saiu tremido e com velocidade baixa, a minha própria cara

assim que puder, posto aqui algumas das carimbadas que recebi.

that's all folks!

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5.12.05

falei tanto da luz entrando na sala da exposição que estava deixando de lado um dado no mínimo curioso:

aqueles que acompanham as exposições das quais participo já sabem que invariavelmente chove no dia da abertura, e geralmente numa quantidade superior ao nível pluviométrico médio

nesta não foi diferente - caiu o maior toró, com direito a granizo do tamanho de bola de pingue-pongue e falta de luz, que perdurou das 20h até à hora que fui embora, lá por 21h30 - e resumindo a ópera, teve gente que chegou lá e foi embora sem ver nada...

...de registro do fato, algumas fotos que tirei no breu que se apossou do ambiente:


as gravuras da Sandra Natter, sob a luz de uma lanterna que apareceu por lá


uma gravura do André de Miranda, sob a luz do celular do mestre Ronald Simon


a sombra dum parapeito, projetada pela luz de um automóvel no estacionamento, sobre o painel onde estavam as gravuras da Fátima Vera

...como diz o vulgo: ninguém merece



já se utilizando do flash e contando com a sorte, a Clarice conseguiu enquadrar este que vos digita e outros luminares das artes plásticas contemporâneas dos dias de hoje, que foram prestigiar o evento: C.L.Salvaro; Otavio Roesner cuja camisa molhada comprova a inundação e Tony Camargo



mas nem tudo foi perdido, para compensar o non-sense do ocorrido, consegui reunir alguns amigos e fomos iluminar as idéias numa cachaçaria, no melhor espírito mezzo"chove lá fora e pinga aqui dentro" mezzo "molhado por fora e encharcado por dentro"



ps: grato ao Daniel que me lembrou do Otavio

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