porão abaixo®



ENTRE SEM BATER


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as citações abaixo são geradas pelo banco de dados do CITADOR, fugindo de qualquer controle estético ou conceitual




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30.6.05

pois foi falar no tinhoso que apareceu o rabo:

me invitou, na sexta-feira próxima passada, a uma jornada em busca de imagens da polacolândia perdida na Colônia Thomaz Coelho, mais precisamente às margens da represa do Passaúna, no local conhecido como São Miguel.

a primeira parada foi numa chácara que, até onde minha memória permite, foi propriedade de um antepassado meu, e que possui ainda uma dessas casas de tronco que fazem historiadores, arquitetos e polacos saudosos se masturbarem de alegria:



quer dizer, da casa propriamente dita, eu fotografei uns detalhes com filme, que ainda não mandei pro laboratório - fica prum próximo post

e a segunda etapa foi na Igreja de São Miguel e, para regozijo meu, seu cemitério, donde se tem uma vista supimpa putzgrila do lago da represa:



mas fui mesmo é à cata desses anjinhos pintados com esmalte alumínio, que tanto fazem gosto à parentada:




um corte meu sobre fotografia de Irã Dudeque



e na saída, uma parada à beira d'água, com algumas daquelas casas de troncos remontadas para ambientar uma chácara:



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23.6.05

DO CU NA ARTE, ou O ROTO FALANDO DO MALTRAPILHO

fazendo uma faxina na traquitana taiwanesca, encontrei estas imagens abaixo e que o Irã Dudeque gentilmente me enviou em 2001.

pena que ele as recebeu por e-mail, mas não tinha a referência para sabermos do quê se trata* - uma das pragas internéticas é a dessas imagens que tem gente que pega na origem mas repassa sem citar a fonte, eu mesmo já recebi uma de minha lavra, completamente fora de contexto, mas ilustrando uma dessas balelas de auto-ajuda e "tenha um bom dia", contanto que repasse para 10 amigos...

mas veja, ilustre passageiro, o artista alegre e faceiro que pendura na parede estes closes de uma região específica de nossa intimidade anatômica que raramente vê a luz do sol:



para mim, até melhor que a própria exposição dos closes que as imagens mostram, é este making of, o pessoal interagindo com fotografias de esfincters e pregas, inclusive aquela do passeio na rua está o fino - oxalá tenha sido esta a proposta.









agora, complicado mesmo é quando aparecem estes artistas que pretendem ser levados a sério com esta mediocridade de achar que ainda se pode chocar ou levar alguém, mesmo que minimamente inteligente, a ter qualquer atitude que não seja de menosprezo, riso ou escárnio frente a esta estética de nudez, pornografia ou escatologia pintada, gravada, esculpida, montada, performatizada, o escambau que seja.

e pior, tentar justificar esta estética como sendo uma tentativa de discutir, explicitar e tentar purgar os problemas da humanidade ou da arte e jurar de pés juntos que isto não é uma manifestação de suas próprias fraquezas, fobias ou carências.

não pense que apregoo não haver arte na nudez, no sexo, na fisiologia; mas é algo que, mesmo que não se baste por sua própria plástica, permite uma estética que não precise desse engajamento e panfletagem capengas pois, ao fim e ao cabo, o rabo merece ser muito mais que a sua mera representação ou o quê se faz dele.

uma cena que presenciei em 2003, na abertura de um salão de artes, foi a de uma artista que, nua, circulava a passos lépidos entre o povo e, penso, a intenção dela era de "chocar a burguesia" mas aconteceu é que foi ignorada ou olhada com desdém por quase todos, já que sua, digamos, performance se resumiu a isso, um circular anônimo e nudista entre gente vestida para festa - me lembrou muito um sonho recorrente, de estar nu entre a multidão e ninguém perceber, ou uma cena de suruba em que sobrou uma pelada excitada e todos os demais convivas, já satisfeitos, estão prontos e paramentados para voltar a seus lares.



sou muito mais pelo escracho, a porra-louquice, o "ridendo castigat mores" - aliás toda minha formação foi perspassada por isso: Monty Python, Língua de Trapo e quejandos - mas é óbvio que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa

quer mostrar a bunda? ótimo! tirar moldes da genitália? fantástico! pintar com o próprio? genial!

mas há que se fazer isso com um mínimo de inteligência, atitude e sense of humour porque, fora aqueles arrozes-de-festa de sempre que irão achar que você está querendo dar para e/ou comer alguém ou tecer comentários a respeito da sua anatomia, o quê te espera é o esquecimento...

...aliás, agora bateu uma dúvida, nem lembro mais se era "uma" ou "um" artista, talvez fosse um casal, sei lá...


*nos nomes dos arquivos consta Rumpehull, mas não me dignei a pesquisar, se alguém se habilitar e conseguir levantar a fonte, agradeço.

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19.6.05

como bom curitiboca e, não bastasse sê-lo, um procrastinador nato, só ontem fui conhecer o MUSA (Museu de Arte da UFPR). Sobre a exposição que está em cartaz, não tenho muito a dizer (melhor ler a apresentação do curador, Paulo Reis), mas nela há uns trabalhos bastante pertinentes com a proposta; como os do Moto Contínuo nos anos 80, que eu conhecia muito superficialmente e pelo registro fotográfico das intervenções urbanas dá para se ter uma dimensão do quê foi; o vídeo da Gabriele Gomes "travesseiro no mar" e a fotografia da Carina Weidle.

mas o que me chamou mesmo a atenção foi a maneira como o espaço do museu delimitou-se dentro do prédio histórico da UFPR, já que normalmente essa coisa de se formatar salas de construções já existentes como espaços expositivos acaba incorrendo em duas espécies de erro:

o primeiro, de se tentar preservar portas, janelas e detalhes arquitetônicos que, se denotam uma preocupação de preservação do patrimônio, detonam quase que por completo a possibilidade de se apresentar arte, principalmente se ela for contemporânea;

o segundo, pelo contrário, de se justificar a reforma e fechamento dos tais detalhes da arquitetura com o ideal de um cubo branco como lugar para exposição.

bom, no caso do MUSA, colocaram painéis brancos quase justapostos às paredes (pintadas num tom de creme, ou algo equivalente) que não chegam ao teto mas também não têm cara e jeito de tapumes, e penso que assim conseguiram equacionar os dois problemas - dá para se ver muito bem o que está exposto e, ao mesmo tempo, poder apreciar a arquitetura original do interior do prédio.



fiquei satisfeito com tudo que vi, e feliz por saber que há um espaço digno para se expor aqui nessa terrinha do cacique Tindiqüera.

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15.6.05

há alguns trabalhos que parecem querer nossa companhia constante.

volta e meia, quando meto a mão ao acaso na pilha de monotipias, dou de cara com estas duas, que nomeei "Adamastor"





quando as vejo tenho uma sensação boa, porque naquela proposta itinerante "do plano gravado ao espaço ocupado" que já esteve exposta em Cascavel, Blumenau e Curitiba, elas sempre ficaram por último na montagem

talvez por causa das dimensões reduzidas em relação às outras gravuras, o desafio de escolher onde e como mostrá-las propiciou um sopro de delicadeza frente aos demais painéis que foram tomando corpo enquanto eu ia ocupando os tais espaços.

no seu debut - Cascavel, 2003 - ficaram lado a lado no plano, um ponto focal numa superfície branca:



já em Blumenau, dois meses depois, tomaram a quina de um bloco negro, quase isolado no meio da galeria:



e em Curitiba, 2004, abraçaram duas arestas dum pilar todo áspero que tinha no meio do caminho e delimitava a área de exposição:



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12.6.05

não daria para deixar a data passar em branco, já que, além do dióxido de carbono, o amor está no ar...



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10.6.05


dias atrás, numa gráfica, vi material de um cara que escreve, produz e vende cartilhas e CDs por reembolso postal, com temas que vão desde "Ser feliz e crescer materialmente", passando por "Amarração e erguimento de cargas pesadas em portos" e "Jardinagem alternativa" até chegar em "Detalhes técnicos e construtivos de caldeiras" - uma espécie de Instituto Universal Brasileiro de Auto-ajuda.

sei lá por quê, mas me veio a lembrança dum filme em que aparece Mondrian, trajando fato e gravata, um bigodinho à la Hitler e fazendo uns passos de charleston.

sélaví


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8.6.05

o polaco na ladeira
27.XII.99 - são carlos

desce leso
ladeira, passeio, sarjeta
esbarra no poste, tropica na guia,
- dzien dobry stacho, przepraszam maresia -
tão logo cedo
nem padeiro, operário, jornal, vigia
tão logo cedo
mas já breque, farol, buzina
o pulo de medo
psiakrew, jesus, swieta-maria!







firulas digitaisequais - 7'upstairs

boczon, 2005 - há seis horas

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6.6.05

Pinçado nas mensagens de um grupo ligado às artes:

"...em um paragrafo dis o seguinte..."

"...mas já estou ligada nas discuções a algum tempo."

uns e outros erros de digitação e falta de concordância e/ou coerência até que são perdoáveis, mas convenhamos...

Há tempos, uma sobrinha me mostrou a prova de Educação Artística que havia feito e tirado uma nota acima da média; a parabenizei e tal, mas percebi que os erros gramaticais grassavam nas suas respostas e comentei que a professora deveria ter notado isso, quando ela me responde:

"Mas ela é professora de artes e não de português!"

Será que vale a pena "inissiar à discução?"

Aliás, a crase deveria entrar com algum mandato de segurança, já que tantas barbaridades se cometem em nome dela.

Não que eu defenda ou escreva um português castiço ou perfeito mas, com um pouco de cuidado e um dicionário ao lado não forçaremos o Luís Vaz a se revirar tanto na tumba.



reciclagem - do aurélio ao sudário
colagem e monotipia sobre madeira, 37x80cm
boczon, 2003

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5.6.05

Sabe o quê é realmente bom?

Poder passar dois dias na praia, com amigos que quase não se encontram, só jogar conversa fora, beber até encher o caneco, comer até ter que soltar alguns furos da cinta e ouvir som alto; o bom-humor imperando, nada de papo chato ou sério. Boas nostalgias e alguns projetos futuros.

Algumas imagens d'antanho:





E outras desse fim-de-semanda:









Isso faz um bem danado!

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2.6.05

ainda o tempo e a reciclagem:

para um procrastinador nato que mora só, tem uma existência caseira deveras sedentária e o nada salutar hábito de automedicar-se ou recorrer a farmacêuticos para tanto; há algo que demonstra quão rápido o tempo nos escapa, ou como diz a citação de Ovídio: "tempus edax rerum" (o tempo é o devorador de tudo):

basta abrir o armário do banheiro, no lugar destinado aos medicamentos e ver a validade dos componentes da farmacopéia

uma estatística rápida demonstra que 80% do que foi encontrado na vistoria está com o prazo vencido

é um exercício nostálgico, porque ao ver o frasco de Anador (cuja validade ia até agosto de 2002), relembro da febre que me levou a comprá-lo

aquele Uropac que, em 1999, me permitiu sanar uma inflamação urinária e poder participar dum fim-de-semana regado a rock, sinuca, álcool e sacanagem numa chácara; já não pode mais nos favorecer com seus préstimos desde 2003

o Plasil (este com acompanhamento médico) salvou o final da copa de 2002, já que a crise gástrica que durou exatos 15 dias, terminou naquela manhã de domingo em que acordei completamente chocho, à base de bolacha água e sal e gelatina mas, após o levantamento do caneco pelo Cafu, consegui almoçar tudo que tinha direito - frango frito e maionese inclusos - teve seus estertores de vida útil em maio de 2004

e mais, após um genuíno e sincero "puta que pariu! como o tempo passa!", volta à memória que, da última vez em que vistoriei a caixa para fazer a faxina, o tal antitérmico ainda estava em plena vigência de suas faculdades terapêuticas, e me parece que isso foi ontem...



reciclagem - apara apracur
assemblage com gesso, queima e interior de tubo de pomada sobre apara de monotipia em madeira, 40x50
boczon, 2003

ps: não, as alopatias vencidas não são utilizadas e não, não sou hipocondríaco pois, caso fosse, não deixaria os tais prazos expirarem

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