porão abaixo® |
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ENTRE SEM BATER
as citações abaixo são geradas pelo banco de dados do CITADOR, fugindo de qualquer controle estético ou conceitual |
27.4.05
ontem, nova visita ao atelier do Ronald Simon aproveitei para fotografar a construção, que num post anterior já havia mencionado. ela tem a assinatura do Kirchgässner (pioneiro da arquitetura moderna em Curitiba):
pelo pouco que sei de arquitetura, essa porta é o único elemento da fachada que soou moderno, mas pensando bem, o conjunto todo está mais para Art Déco - se alguém puder corrigir, agradeço.
faltam ainda imagens da residência do próprio, onde ocorreu o caso das pessoas entrarem pensando se tratar de uma igreja, mas para tanto vou escanear as imagens dum livro que trata do assunto e postá-las em tempo oportuno. aproveitando o ensejo, mais uma pintura recente do mestre e detalhe da mesma:
outra camiseta que ele está pintando:
(Pô, nenhum de meus prezados leitores se habilitou a fazer uma encomenda ainda?) e uma das vistas da sala dele, de onde podemos perceber o Olho do Niemeyer numa perspectiva não muito divulgada.
a propósito, a sala fica no canto superior direito da fachada, donde se vê os fundos do museu clique aqui para comentar: 25.4.05
há vezes em que uma paisagem não é apenas isso, ela é outra - aparentemente trágica, por ser o negativo do original*; mais onírica, por ser um giro de 180° na percepção - formatada numa tentativa etimológica: landscape talvez seja só uma questão de como se utiliza a ferramenta, de tentar salvar qualquer ato físico para que ele não se perca apenas na intenção e seja uma troca de energia inócua - há algo de curiosidade de espelho nisso tudo, de tentar descobrir se as imagens se fixam depois de refletidas *vista da janela do cafofo, skyline do setor estrutural de curitiba, coisa de urbanistas... ©boczon, 2005 clique aqui para comentar: 22.4.05
já que love's in the air, e deixe estar que, pelo visto, arrumei até admiradora secreta:
Busque amor novas artes, novo engenho, Para matar-me, e novas esquivanças, Que não pode tirar-me as esperanças, Que mal me tirará o que não tenho. Olhai que de esperanças me mantenho! Vede que perigosas seguranças! Que não temo contrastes nem mudanças, Ando em bravo mar, perdido o lenho. Mas, conquanto não pode haver desgosto Onde esperança falta, lá me esconde Amor um mal, que mata e não se vê. Que dias há que na alma me tem posto Um não sei quê, que nasce não sei onde, Vem não sei como, e dói não sei por quê. Luís de Camões *monotipia em ardósia photoshopada sobre imagem fotográfica ©boczon, 2005 - a fotografia original é de 1989, num trecho paralelepipado do Centro Cívico que já não existe mais clique aqui para comentar: 19.4.05
agora acho que deu para bater o martelo:
e até o verso do tecido vai dar polca:
clique aqui para comentar: 16.4.05
pontos de vista, de Dulce Osinski e Ricardo Carneiro até Ronald Simon, passando pela cramiola ligeiramente ébria dum polaco d'aprés um encontro regado a cerveja e boa conversa, com influência tardia de Rui Barbosa, na tentativa de fazer a Isabel Seraphim continuar a pintar e gravar sim, há dúvidas, perrengues e quetais mas nada que outros tantos c'outras iguais já não passaram, ão ou arão de sempre a jamais o fato a ponderar e termos em mente de hoje, adiante e somente, é que, pouco se nos dá que a mula manque importante é rosetar ontem, depois das imagens postadas, acabei por lançar mão de mais um pouco de tinta (branco, amarelo ocre e vermelho de cádmio) e não sei se a coisa desandou de vez:
esta profusão de detalhes é porque estou finalmente conseguindo dominar a macro da xereta e por fixação de minha parte, coisa de míope.
logo mais à noite, Alarico sairá da cave novamente e, como bom paladino que é, tentará endireitar o torto e ilustrar e purgar pelo fogo os ignaros clique aqui para comentar: 15.4.05
dando uma sossegada, por enquanto está assim e o vermelho até que não sumiu tanto:
e um pôr-do-sol no sítio, ontem:
deu para perceber que esse negócio de acaso não funciona tanto assim clique aqui para comentar: 14.4.05
hoje, depois de longo e tenebroso inverso, a volta de Alarico, o maçarico:
depois da queima e dumas escovadas, o trabalho tomou esse aspecto:
e, para variar, uns detalhes:
depois disso tudo, fiz outra camada com bronze e cobre sobre o tecido e uma velada com azul ftalo sobre a madeira mas, como acabou a pilha, vai ficar na vontade começo a pensar que estou pecando pelo excesso mas, como quem tá na chuva é para se queimar... clique aqui para comentar: 13.4.05
nos últimos posts não deu tempo para comentar muita coisa sobre o quê estou fazendo. é uma retomada nos serviços do porão, já que fazia mais de ano que não pintava nada - os últimos trabalhos foram as monotipias com ardósia para a exposição do MAC/PR, e isso foi em julho passado... como estava meio travado e sem saber direito para que lado atirar, resolvi fazer um feedback das técnicas para ver se surge algo novo. primeiro a coisa da tinta diluída direto sobre a madeira e o tecido, que por enquanto resultou nisso:
me animei para utilizar o Alarico e dar um trato na prata e bronze que não ficaram essas coisas, mas faltou gás, entonces vai ficar para amanhã
agora voltando um pouco ao gesso pulverizado e umedecido in loco, com a tinta diluída - preto, azul ftalo e vermelho cádmio - e mais uns suprimentos de escritório ligeiramente usados
esses detalhes estão quase em escala natural
uma panorâmica da quizumba enquanto úmida
está sendo boa essa volta ao laboratório, às tentativas e erros clique aqui para comentar: 12.4.05
detalhe do trabalho depois da camada de ontem:
mais tinta:
branco e azul ftalo sobre o tecido e bronze e prata sobre a madeira:
clique aqui para comentar: 11.4.05
nova camada:
vermelho óxido, branco e azul cerúleo sobre o tecido e uma lavada com azul cerúleo direto sobre a madeira
esqueci de elencar as tintas de ontem: preto, branco, violeta de cobalto, amarelo ocre e verde incógnito clique aqui para comentar: 10.4.05
arre que hoje criei vergonha e voltei a pôr a mão na massa. a intenção é retribuir o presente da Isabel Seraphim - para tanto, uma placa de madeira compensada de 80x110, com um rasgo de tecido por cima:
a primeira camada de tinta, ainda fresca:
o bloco monolítico em cima é uma homenagem ao Arthur C. Clarke e ao Kubrick, mas também serve para evitar que a madeira empene
um detalhe, e agora é esperar pela secagem e fazer figas para que tudo saia a contento - como de outras vezes, vou postar cada etapa do trabalho, até ele ficar pronto, ou não clique aqui para comentar: 8.4.05
algumas lidas, ouvidas e vistas nestes últimos dias, dignas de nota: papéis afixados em alguns tapumes no centro de Curitiba: "Proibido calar catarses" - e o comentário da pessoa que me acompanhava: "mas não viram que está escrito errado?" nas transmissões do funeral do papa, em um canal espanhol, a famigerada 'Ave Maria' de Bach, popularizada por Gounod, na interpretação de uma cantante de flamenco (com os trejeitos característicos na voz) - enquanto a moda ia tomando corpo, o arrepio foi subindo desde a ponta do dedão manchete num telejornal daqui da terrinha: "Parto na rodovia" - a poesia ficou só na chamada, porque a matéria resumiu-se apenas aos aspectos fisiológicos do início da existência
algumas vezes as mãos trêmulas servem para algo clique aqui para comentar: 3.4.05
fiquei no vai-não-vai, mas não dá para deixar passar batido o acontecido em 1978, era coroinha, estudava em colégio de padres e mais, filho de católicos praticantes (até demais); mas havia um aspecto do qual - apesar da convivência familiar ser exclusivamente entre conterrâneos - não tinha muita consciência: era polaco provavelmente para não deixar aos filhos a herança de serem 'polacos sem bandeira', meus pais não nos ensinaram a língua, as letras tampouco (mas estas nem eles dominavam); e essas coisas da 'cultura' não eram colocadas como tal, e fomos nos aculturando, ou melhor, nem sabíamos da existência disso uma anedota ilustra melhor a situação: quando foi levada para ver uma apresentação de um 'grupo folclórico polonês', minha avó Apolonia, nascida aqui no Brasil, filha e neta apenas de polacos e com uns 76 anos, disse ter achado bonito, mas que nunca havia visto nada daquilo, daquelas roupas, daquela música, daquela dança... a notícia de que um polaco agora era papa, deu uma reviravolta em todos da colônia, que agora já não teriam por quê ter vergonha da origem, e mais, começaram a buscar a própria talvez, se ao invés de papa, o Karol Wojtyła tivesse ganho algum Nobel ou fosse nomeado secretário geral da ONU, isso não tivesse tanto impacto em nós, polacos, mas ele era papa
bom, resumindo a ópera, penso que, se hoje posso assumir o fato de minha ascendência ser toda polaca e, mesmo assim, ansiar por algo mais que armazéns de secos-e-molhados ou a roça, devo em grande parte a ele do widzenia papież, Bóg zapłać!
na soleira da casa um anjo assenta sua asa znak! anioł ©2003 para evitar dúvidas, porque alguém pode argumentar: 'mas e o Leminski?' - ocorre que a imigração dos polacos aqui de Curitiba não foi de uma leva só, e teve alguns que ficaram muito mais próximos do núcleo urbano, como no caso da Barreirinha do Leminski, Abranches, Órleans... e com isso não tiveram que aculturar-se tanto quanto os da colônia que, quando conseguiam sair dela para viver na cidade, sentiram a necessidade (que hoje soa equivocada, mas eram outros tempos) de abrir mão de sua origem para serem aceitos. *fotografia - bodas de ouro de José e Maria Gembarowski, capela de Nossa Senhora das Dores, colônia Tomás Coelho, 1930 - acervo da família clique aqui para comentar: |
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